Japão

11 dicas que eu deveria ter lido antes de viajar para o Japão

Sabia que você pode ofender um japonês pela forma usa um hashi? E que é mais barato comer em restaurantes do que em casa? Veja dicas importantes para viajar ao Japão sem gafes e perrengues.
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Visitar um continente novo requer mais preparativos do que o usual de uma viagem. Países asiáticos, em geral, são famosos pelas diferenças culturais em relação ao Brasil. O Japão, então, nem se fala. Tem a língua, a religião, a comida e os hábitos completamente diferentes dos nossos. Além das coisas que podem ofendê-los e a gente nem imagina.

Apesar de saber isso, quando fui para a Ásia pela primeira vez, não fiz toda a pesquisa que deveria. Fui passar dezessete dias no Japão. Em meio à preocupação com a duração do voo e compromissos em casa, a pesquisa foi ficando de lado e eu passei alguns apertos e constragimentos.

O que saber antes de viajar para o Japão

Se eu pudesse voltar no tempo, teria tido mais cuidado. Por isso escrevi essas dicas de viagem para o Japão, com o que eu deveria ter lido antes de ir. É certo que tem muito mais elementos da vida no Japão que permanecem desconhecidos para mim, e algumas gafes que eu nem percebi. No entanto, a lista abaixo abrange as dicas mais urgentes e o que fez falta nessa curta estadia no Japão.

1. Não comer nem beber andando

Essa falta de etiqueta fica evidente logo na primeira tentativa. Os olhares indignados nas ruas de Tóquio te dirão que não é legal sair tomando seu chá verde gelado pela calçada. O Japão é o país que mais tem máquinas de comidas e bebidas, inclusive na versão quente. Mas existe um jeito certo de consumi-las: ao lado da máquina, onde muitas vezes tem um banquinho e uma lata de lixo. Ao sair andando com seu lanche, café, ou o que for, a pessoa assume o risco de sujar a rua. Tsc tsc!

Melhor olhar pra frente e não derrubar nada em ninguém

2. Palavras básicas: sumimasen, itadakimasu e outras expressões

Claro, isso não se aplica somente ao Japão. É sempre bom aprender algumas palavras no idioma do destino, tanto por sobrevivência, quanto por cortesia ao povo que recepciona.

Talvez a expressão mais utilizada pelo turista seja pedir licença: no metrô, no aeroporto, nas atrações lotadas… Então é bom se preparar. Além disso, é bom aprender a responder às trocas de gentilezas tradicionais. Quando estive no Japão, não me dei ao trabalho de aprender nada antes, grande arrependimento. Mas pra quem teve pouco contato com a língua, uma ou duas repetições não vão resolver. E na hora H dá aquele branco embaraçoso. Então é bom ir se acostumando a dizer certas palavrinhas.

Bônus: entender uma ou outra coisa que se ouve nos animes e curtir a musicalidade de cada expressão. Expressões e palavras básicas para aprender em japonês:

  • Konnichiwa! = Oi/Olá etc
  • Ikura Desuka = Quanto custa?
  • O-negai shimasu = por favor
  • Arigatō, Doumo Arigatō, Arigatō Gozaimasu e outra variações que dependem da situação  = Obrigado!/Muito Obrigado
  • Itadakimasu – a tradução dessa expressão é controversa. Generalizando, é uma forma de agradecer por algo, muito usada com alimentos e antes das refeições. Diz-se Itadakimasu ao receber a comida do anfitrião (ou no restaurante). Este vídeo aqui ilustra bem a situação e a linguagem corporal adequadas:
  • Sumimasen = desculpa ou com licença, e em diversas situações, como este vídeo aqui explica.

Se sua memória for como a minha, talvez seja bom levar o velho livrinho de idioma para turistas. Assim você não fica dependendo do celular e da internet para se comunicar. E, falando nisso:

3. Garantir o acesso à internet – Dica de chip para usar no Japão

Depender de Wi-Fi é incoveniente e até perigoso. Imagine ficar perdido numa estrada ou parque sem mapa e sem ter como pedir ajuda.

Felizmente, fui bem orientada nessa questão e já saí do Brasil com o meu cartão SIM encomendado. Paguei cerca de R$ 100,00 por um chip da IIJMIO  no site da Brastel (o site tem versão em português) que me foi recomendado por um amigo. O cartão chegou alguns dias antes de mim ao endereço em Tóquio. Há também a opção de pegar o cartão SIM já no aeroporto.

A configuração deu um trabalhinho, pois não é só trocar o chip. Tem que alterar as configurações de APN etc. Mas as instruções são didáticas. Esse cartão é exclusivo para viajantes. Dá pra escolher o de 30 dias ou três meses e é recarregável.

Mas esta não é a única opção. Dá pra comprar o cartão pré-pago de outros fornecedores, como a U-Mobile, NTT, SIMcard Geek e Mobal. Esse último é o único que oferece chamada de voz, em adição ao plano de dados. Para mais detalhes, veja essa comparação do Tokyo Cheapo (em inglês).

4. Conhecer os principais símbolos e sinalizações + melhores tradutores

É recomendável aprender os ideogramas básicos (veja logo como reconhecer sinais de saída, emergência e banheiro). Mesmo assim, você pode se encontrar em uma situação de ter que ler um aviso, cardápio ou mapa. O aplicativo do Google quebra um galho, embora algumas vezes o resultado seja mais cômico que útil.

Os tradutores de voz também ajudam. Eu precisei pedir ajuda para saber a parada de ônibus e usei o tradutor de voz. A senhora que me ajudou gostou tanto da interação intermediada que prolongou a conversa, foi ótimo.

Sugestões de aplicativos:

  • Google Translator: gratuito e fácil de usar. Apesar de ter a opção de “baixar” um idioma específico, senti que a forma como eu usei consumiu dados e não funcionou offline.
  • Waygo: ótimo para línguas asiáticas, oferece fotos que ajudam a compreender traduções literais. Outra vantagem é que a maior parte dos recursos funciona offline.
  • iTranslate: também com a opção offline. É um dos mais populares entre os viajantes.
  • TripLingo: oferece uma série de outros recursos além da tradução. Inclui mini cursos de idioma e cultura. Por uma taxa extra, permite ao usuário se conectar com um intérprete.
Cuidado com os macacos selvagens! Graças ao Google Tradutor não entrei na mata para procurar George o Curioso.

5. Febre da foto

Pra quem gosta de fotografar tudo, o Japão é o paraíso. Os turistas param para registrar qualquer detalhe: o céu, um prédio, uma lâmpada, uma folha… Prepare-se para lançar tendência, pois as pessoas costumam reparar no que você está fotografando e fazer fila para aproveitar a oportunidade.

Turistas capturam cada detalhe do templo iluminado

6. Etiqueta de hashi 

A primeira coisa que se deve saber é, obviamente, como usar os pauzinhos para comer. Isso inclui dominar a arte de pegar não só sushi e arroz, mas também as comidinhas menores e escorregadias que estão sempre presentes na mesa japonesa.

Além disso, há uma extensa lista de desrespeitos que se pode cometer com hashi. Um dos mais conhecidos é que não se pode cravar o hashi no arroz. Esse ato é alusivo aos rituais funerários e bastante ofensivo. Igualmente, não se deve espetar a comida com o pauzinho, mesmo que a ideia de um espetinho de gyozá seja tentadora. Também não pode usar o hashi para apontar alguma coisa. Melhor usar as palavras para indicar o objeto em questão.

Por falta de atenção, você pode se encontrar circulando o hashi por cima da comida enquanto decide o que vai pegar. Também não pode. E nada de usar o hashi para mexer a sopa ou passar um naco de comida para outra pessoa que também está empunhando um par de palitos.

A lista é longa. Na dúvida, tomei a decisão de evitar qualquer outro uso que não seja o de levar comida do prato à boca. Ao final da refeição, lembre-se de devolver os pauzinhos juntos e paralelos sobre a mesa ou sobre o pires em que vieram, pois não é educado deixá-los cruzados ou largados de qualquer jeito.

Se já é difícil usar um hashi, tente fazer isso se lembrando de todas as regras

7. Ter sempre dinheiro vivo

Pode-se imaginar que no país dos robôs tudo é automatizado. Mas não é bem assim com as formas de pagamento. No Japão, muitas lojas e restaurantes não aceitam cartão de crédito ou débito. Melhor não criar expectativa e sempre andar com muitos ienes no bolso.

Na hora de pagar, o usual é colocar o dinheiro sobre uma bandejinha (se a bandeja for oferecida, não entregue o dinheiro nas mãos da pessoa). O atendente irá contar o dinheiro na sua frente, pegar o troco, contar e colocá-lo na bandeja para que você pegue. Prepare um cantinho da carteira para as moedas, elas virão aos montes.

8. Receber as coisas com as duas mãos

Segurar as coisas com as duas mãos é considerado respeitoso. A situação em que essa regra mais aparece é para receber cartão de visitas. Mas serve para outros objetos também, como presentes e até a bandeja com o troco.

9. É mais barato comer fora do que cozinhar

Eu não acreditei nisso até colocar à prova. São tantas as opções de restaurantes bons e e em conta que não compensa fazer comida em casa. Claro que um cup noodles no hostel é baratinho e quebra o galho de vez em quando. Mas para refeições mais completas, o melhor mesmo é ir a um restaurante.

Cozinhei em casa alguns dias e vi que o preço da refeição por pessoa foi maior do que de um jantar em restaurante de preço mediano (meio termo entre o suspeito e o estrela Michelin). Isso acontece mesmo que se use ingredientes locais e corriqueiros. Pior ainda se as compras no mercado envolverem itens mais sofisticados, como os queijos europeus. Um dos motivos para esse fenômeno é a próxima dica.

10. Gorjeta não é bem vinda

Quem já sofreu com os 20% do serviço nos Estados Unidos, ou mesmo os tradicionais 10% do garçom no Brasil, sabe que a gorjeta pode azedar o preço do passeio. Felizmente, no Japão a gorgeta não é esperada. Ela não faz parte do costume. E como outras coisas já citadas, dar gorjeta pode até ofender o atendente.

11. Parece chocolate, mas provavelmente é feijão

Essa é uma dica bônus que não faz muito sentido para quem já é familiarizado com a cultura e a culinária do Leste Asiático. Mas é bom deixar claro: muitas sobremesas são feitas com feijão.

Isso não quer dizer que não se deva provar. Os doces japoneses são de dar água na boca. São preparados e decorados com essas delícias lindíssimas. Podem ser encontradas em mercados, restaurantes e lojas de presentes.

Mas esteja consciente das suas expectativas. A sensação de morder um bolinho esperando ganache, mas ao invés disso ser arremetido à feijoada de sábado, pode estragar a experiência.

Alguma dúvida ou dica sobre o Japão?

Do outro lado do mundo, o Japão continue cheio de mistérios para brasileiros. Se está planejando esta viagem e tem alguma dúvida, pergunte que a gente responde o mais rápido possível. E se você já morou, já conheceu e tem alguma dica extra sobro o Japão, seja sobre comidas, gastos, costumes, hospedagem ou o que for, também é só mandar pelos comentários.

E boa viagem!

 

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