Israel

Tel Aviv é o paraíso pouco explorado do turismo em Israel – Guia de viagem

Vale a pena conhecer Tel Aviv e aqui vão todas as dicas, desde a melhor época para viajar, até o que fazer e onde comer na capital israelense.
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Contrariando as expectativas alheias, voltei vivo de Israel. Dediquei 3 dias do meu roteiro a Tel Aviv, capital internacional do país. Conheci os principais pontos turísticos, entendi onde é melhor se hospedar, onde comer e fiquei de olho na segurança, pois o risco de terrorismo preocupa muito os brasileiros. São dicas sinceras, sem rabo preso, sem patrocínio, tudo na ponta do lápis.

Já adianto: “Telavive”, como também é chamada, superou as expectativas. Cidade moderna, segura e que vale a viagem. E aqui vão minhas dicas de viagem para Tel Aviv, desde a compra da passagem, o câmbio, a chegada em Israel e os passeios turísticos por lá.

Letreiro de Tel Aviv. Esse fica no píer em Old Port, região com restaurantes, lojas e startups. (Acho que Tel Aviv é a cidade mais hipster do mundo)

Quando ir – Clima e temperaturas

Viajei no inverno, entre fevereiro e março. Fez um frio mediano, variando de 5 ºC a 20 ºC da noite para o dia, com fortes ventos. Impossível entrar no mar, mas agradável para percorrer pontos turísticos. Mas no restante do ano o calor é cruel. Evite ao máximo viajar no verão, nos meses de junho, julho, agosto e setembro, quando é normal fazer 40 ºC. No calor, a única vantagem é poder curtir a praia. Melhores meses:

  • Novembro
  • Dezembro
  • Janeiro
  • Fevereiro
  • Março

Câmbio – Que moeda levar para Israel

A moeda nacional é o Shekel Israelense, atualmente em paridade com o real. Na cotação de hoje, 1 ₪ = R$ 1,05. (Confira sempre em aplicativos de conversão, como o Conversor Moedas). Mas compensa fazer a troca direta. Por exemplo, na casa de câmbio do aeroporto de Tel Aviv, estavam pagando 0,7 Shekels por cada Real. Melhor comprar Dólares dos Estados Unidos ou Euros aqui no Brasil e levá-los para Israel, onde trocará por Shekels.

Troque alguns na chegada, no aeroporto, e guarde a maior parte para trocar nas casas de câmbio centrais, como nas ruas Ben Yehuda e Allenby. Outra opção, menos em conta e com possíveis taxas no seu banco, é sacar direto em Shekels nos caixas eletrônicos.

Nota de 200 do Novo Shekel Israelense. Vale mais ou menos R$ 200. Fácil de converter, né?

Como ir do Brasil para Israel

As principais capitais da Europa tem voos para Tel Aviv, como Roma, Amsterdam, Istambul, Paris, Lisboa, Londres e Madrid. Até ano passado, fazer conexão numa dessas cidades era a única forma de seguir viagem para Israel. Mas em dezembro de 2018 a LATAM inaugurou sua rota direta entre Guarulhos e Tel Aviv. Foi esse voo que peguei, numa viagem de 13 horas a bordo do Boeing 787 Dreamliner. O voo de ida estava mais barato pelo Maxmilhas e a volta fiz aos poucos, com paradas em Nápoles e Lisboa.

Importante! Evite chegar ou partir de Israel entre o meio dia de sexta até o final do sábado. Nesses dois dias os judeus celebram o Sabá (Shabat). O trem de Tel Aviv não funciona, muitos restaurantes fecham e você vai gastar muito mais com transporte, pois precisará pegar um táxi do aeroporto, que custa cerca de ₪180 até o centro. Isso aí, quase R$ 200 de táxi.

Classe executiva na LATAM. Mas eu só passei reto, tirei foto e fui de econômica mesmo.

Chegada em Tel Aviv – Imigração e como ir do aeroporto ao Centro

Passar pela imigração em Israel não foi terrível como eu havia lido. A funcionária fez perguntas básicas, em ótimo inglês, como de onde estávamos vindo e o que iríamos fazer em Israel. Falei apenas a verdade: férias e turismo em Israel. Me disseram que a entrevista é mais intensa para quem pretende seguir viagem ao mundo árabe. E eles realmente não carimbam o passaporte, apenas entregam um cartão de identificação, válido por 3 meses, tempo de permanência máximo sem visto no país.

Vá de trem para o Centro – Preço da passagem: 13,50 – Tempo de viagem: 15 minutos

Na porta do Aeroporto Ben Gurion está a estação de trem. Comprei a passagem na máquina, que tem opção de venda em inglês. Pode pagar em dinheiro ou cartão de crédito. Na estação Ben Gurion Airport, peguei o trem direto para a Estação Tel Aviv-Hashalom, a mais próxima do BeachFront Hostel, onde me hospedei.

Saindo da Estação Tel Aviv-Hashalom, me senti na Vila Olímpia, em São Paulo. Shoppings, prédios altos e engarrafamento. Lá peguei o ônibus que me deixaria quase na porta do hostel. Conferi números e preços tudo no Google Maps, por isso recomendo viajar sempre com planos ou chip internacional no celular.

Desembarque no Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. Melhor que muitos na Europa.

Segurança em Tel Aviv e Israel

Confesso que tive medo antes de chegar em Israel. Mas não vi mísseis, bombas, terroristas ou aquele clima de terror constante que há em Nova Iorque ou Paris, por exemplo. Em Tel Aviv, com seus 430 mil habitantes e embaixadas visadas, me senti seguro para caminhar à noite, frequentar bares e lugares movimentados. A única parte, digamos, mais feia da cidade, é o entorno da rodoviária.

Perguntei para locais sobre riscos de roubos ou furtos. Mal sabem o que é isso. Chegaram a rir quando perguntei se era seguro andar perto do hotel. De qualquer forma, sempre evite andar com grande volume de dinheiro ou vacilar com objetos de valor, tipo câmeras e celular, em locais de grande circulação, como pontos turísticos e restaurantes.

(Isso em Tel Aviv. Em Jerusalém o clima é tenso. Disputada por israelenses e palestinos, ela é pesadamente patrulhada pelo exército de Israel, armado até os dentes e presente em espécies de barricadas pelas ruas da Cidade Antiga, dentro da muralha)

Olha o clima de paz em Tel Aviv. A chance de ser roubado tende a zero.

Hospedagem – Onde ficar em Tel Aviv

Apesar da população apenas mediana, Tel Aviv é espalhada ao longo da costa. São quilômetros de praias e dúvidas na hora de escolher onde ficar. Para fazer turismo, há duas localizações que recomendo:

Perto da Praia

Foi onde me hospedei e recomendo. Fiquei na própria avenida da orla, no Beachfront Hostel. Ele fica no trecho da Bograshov Beach, a parte mais movimentada da praia. Tem muitos hotéis próximos, inclusive com vista pro mar, além de grande número de restaurantes nas ruas pra dentro e pontos de ônibus.

Hotéis das principais redes estão na região, como o Sheraton e o Blue Sea, entre outros hotéis 5 estrelas e pousadas mais econômicas, como onde me hospedei.

Avenida e praia bem em frente ao meu hostel

Centro

Se por um lado o centro não tem o calçadão e o charme da praia, se hospedar por aqui facilita o acesso a locais estratégicos, como a rodoviária (Tel Aviv Central Bus Station) e as estações de trem, que levam ao aeroporto e à conexão de trens para Jerusalém.

Abraham Hostel é referência na cidade, pelo bom custo-benefício e por ser ponto de partida de diversos passeios turísticos, por sua própria agência. Próximo a ele estão restaurantes, casas de câmbio, bares e hotéis de luxo, como o Brown TLV.

O que fazer em Tel Aviv

Falando primeiro em pontos turísticos, Tel Avi tem basicamente dois locais realmente interessantes, que são a praia e o bairro histórico. Vamos a eles:

1. A Praia de Tel Aviv

Tem um longo calçadão e ciclovia, quadras de esportes, piscinas, bares e infraestrutura de primeira, além da beleza do mar, que vale um mergulho nos meses quentes, entre abril e outubro. Um bom jeito de explorar toda a extensão das praias é alugar um patinete elétrico. Para isso, instale o aplicativo das principais empresas, como a Bird e a Wind.

Tel Aviv é o paraíso para andar de bicicletas e patinetes elétricos. São 13 km de praia, boa parte deles com ciclovia.

2. A Cidade Velha de Jaffa (Yafo)

Bairro histórico que existe há mais de 3 mil anos, supostamente fundado por Jafet, filho de Noé. Concentra igrejas católicas, armênias, ortodoxas, sinagogas e mesquitas, como a Al Bahr Mosque, com seu belo minarete azul. O bairro é rico em feiras de rua, bares e restaurantes tradicionais, principalmente de comida árabe.

Mesquita na Cidade Antiga de Jafa, onde tudo começou.

Onde comer – Restaurantes e comidas típicas

As comidas típicas e restaurantes são excelentes. Sério, não comi nada que não fosse muito bom, desde comidas de mercados de rua a restaurantes. Recomendo comprar um suco de romã nas dezenas de quiosques e provar os pratos tradicionais, como a shakshuka e a shawarma, além do clássico falafel e pastas como homus. Meus preferidos:

  • Falafel Gabai – bar com ótimo prato de falafel, sanduíche shawarma de carne e bom custo-benefício
  • Kaspi – restaurante simples com o melhor Shakshuka que provei, além de bebidas e sobremesas típicas
  • Abouelafia Bakery – padaria árabe aberta desde 1878 e parada obrigatória para lanchar em Jafa

Vida noturna

Tel Aviv é jovem e animada. Há muitos bares animados e baladas, cheios de gente bonita, na região entre a praia e o centro. Para ir direto aos melhores locais, recomendo fazer um Pub Crawl. Apesar de pagar para participar, a economia é grande, pois inclui algumas bebidas e entradas em boates. Fiz pela TLV Nights e gostei.

Bar que visitei durante Pub Crawl em Tel Aviv

Passeios bate e volta

Outro grande atrativo de Tel Aviv é ser a melhor base para conhecer as principais atrações de Israel. De lá parti para um dia em Jerusalém (tudo de ônibus, sem contratar agência) e para um tour guiado passando por Masada, Ein Gedi e Mar Morto, esse sim com uma agência de turismo, afinal o trajeto passa por fronteiras “sensíveis” e acaba sendo um bom custo-benefício, por já incluir algumas entradas, como no clube do Mar Morto.

Masada

No topo da montanha estão as ruínas de uma comunidade judaica que resistiu por um longo período aos invasores romanos. Além da história, o local tem as melhores vistas possíveis para o deserto e o Mar Morto.

Ein Gedi

Em pleno deserto, essa reserva nacional é um oásis natural com matas, animais silvestres, córrego e cachoeiras. Confesso que foi a parte mais chata do tour e o calor estava insuportável, mesmo no inverno.

Mar Morto

Entre a Jordânia e Israel, esse mar, que na verdade é um lago, tem alta concentração de sal e faz a gente boiar que nem bobo. Eu fiz o teste e a força que puxa pra cima é impressionante. Suposta lama medicinal. Leve um livro ou um jornal para garantir as melhores fotos. No post Dicas do Mar Morto, tem mais informações sobre o local.

Jerusalém

Sagrada para cristão, judeus e muçulmanos, Jerusalém tem atrações como a Mesquista da Rocha (foto acima). Outros lugares que visitei nesse bate e volta e valem a pena são o Muro das Lamentações e o Museu do Holocausto (Yad Vashem), cuja entrada é grátis e dá show em muito museu pago.

Quer mais dicas de Tel Aviv?

Resumi nesse post os pontos mais importantes para ajudar no seu planejamento de viagem. Afinal Tel Aviv é uma cidade ainda pouco explorada e há raras dicas de qualidade na internet. Em breve farei posts mais completos sobre suas atrações. Por enquanto, pergunte por aqui mesmo se tiver alguma dúvida.

Eu utilizei bastante ônibus, reservei meu próprio hotel e fui em busca dos restaurantes com melhor custo-benefício. Realmente fiz tudo por conta própria, com excessão do tour ao Mar Morto, que contratei uma agência de turismo. Não foi uma viagem patrocinada, é importante ressaltar. São dicas baseadas em experiências pessoais e tenho boa parte dos preços anotados (falarei deles em breve), então pode perguntar quanto gastar e o que vale a pena fazer.

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8 Comments

  1. Olá Nivaldo! Estou engolindo seus posts sobre Israel e amando. rs
    Qual a casa de cambio você trocou o seu dinheiro em Tel Aviv? Como você mencionou, vou trocar uma pequena parte no aeroporto e o restante no centro de Tel Aviv, porém gostaria de indicação de uma boa casa de cambio. Grata!

    • Oi Lorena. Que bom que as dicas estão ajudando. Troquei um básico inicial no aeroporto e depois o restante quase todo numa espécie de mercado/loja de conveniência na avenida beira mar chamado Super Market America, ao lado do hostel onde fiquei. Mas depois vi que a cotação estava melhor na região central, como na Rua Bograshov (tem muitas por ali, é uma rua agradável) e perto da rodoviária (câmbio levemente melhor, mas tem um pessoal mal encarado). Também visitei essa aqui, acho que troquei só um pouco, já no final da viagem.

  2. Nivaldo, vc ja chegou em Israel com chip internacional, de qual empresa? Funciona com 4 G?

    • Nivaldo responder

      Olá, Renato. Eu fui com o pacote Mundi da Claro. Pegou 4G praticamente em todos os lugares, exceto regiões de baixadas no deserto. Perfeito em Tel Aviv e Jerusalém. Se não for sua operadora, dá uma olhada também na Chip de Viagem, que costuma ter sinal bom.

  3. Olá Nilvado,

    Você pode me contar , quanto custa aproximadamente esta viagem a Israel?
    Quantos dias você acha necessário para conhecer os principais locais do país?
    E qual o nível de inglês necessário para este tipo de viagem?

    • Nivaldo responder

      Olá, Luciana. O maior gasto é a passagem aérea. Comprei ida na Maxmilhas pela LATAM por R$ 1.700. Na volta, incrementando o roteiro, voei Tel Aviv-Nápoles-Lisboa-Brasília, gastando mais R$ 2.000. Pesquisei voos agora e achei por R$ 2.800 ida e volta em junho, GRU-TLV.

      Eu passei apenas 4 noites em Israel e deu pra ver isso tudo: principais pontos turísticos de Tel Aviv e Jerusalém, além do tour para Masada e Mar Morto. Esse tour custou 60 Dólares. As 4 noites de hospedagem saíram por R$ 500 no BeachFront Hostel, que é um albergue com quartos compartilhados. Pra ficar num hotel mediano, considere gastar no mínimo R$ 200 por noite.

      Mas não tenho muito interesse em locais religiosos. Se for o seu foco, considere passar pelo menos 2 noites em Jerusalém e acrescentar um tour que passe por Belém e Mar da Galileia, por exemplo. Então, para uma viagem mais completa, recomendo ficar pelo menos 7 noites em Israel. Se quiser esticar para Petra, na vizinha Jordânia, adicione mais duas noites.

      Em Israel quase todo mundo fala inglês muito bem. Se tiver um nível pelo menos intermediário, vai ajudar a saber o que pedir nos restaurantes, a tirar dúvidas e tal. Mas com um básico dá pra se virar, ainda mais se tiver um pacote internacional de dados no celular, o que ajuda bastante pra traduzir, verificar ônibus e rotas nos mapas…e o sinal 4G é excelente por lá.

  4. Olá, nunca fui de viajar nem.mesmo pelo Brasil.
    Mas lendo seu relato sobre Tel Aviv, nossa deu uma vontade de ir conhecer. O namorado da minha filha sonha em um dia conhecer Israel.
    Sendo uma viagem de uns 5 dias, 4 pessoas
    Eu 47, minha filha 10, outra filha 17,genro 18.
    Quanto seria o custo total aproximado.

    Parabéns

    • Nivaldo responder

      Olá, Patrícia. Que bom que gostou do post. Bom, vou te dar uma estimativa de quanto gastar baseado em médias atuais. Exemplo:

      4 Passagens aéreas ida e volta do Brasil para Israel, numa média de R$ 3.500 por pessoa = 14 mil
      6 diárias em hotel de padrão razoável em Tel Aviv para 4 pessoas numa média de 500 a diária = 3 mil
      10 refeições em Israel para 4 pessoas numa média de R$ 50 cada = R$ 2 mil
      Passeios básicos em Tel Aviv, Jerusalém, Mar Morto e Masada para 4 pessoas = 4 mil
      Gastos extras como transporte e imprevistos = 1 mil

      Considere gastar em torno de 24 mil no total para as 4 pessoas. O que dá 6 mil por pessoa, sem esbanjar, mas comendo bem e ficando em hotel bem localizado, sem luxos. Espero que realizem esse sonho!

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